Monday, February 21, 2011
Cabe e sobra aqui na palma
A paz da minha alma
A calma acalmaria não.
O peito empunha essa tormenta
A dor que impacienta
Acalma; a calmaria não.
Cabe e sobra aqui na palma
A paz da minha alma
A calma acalmaria não.
O peito empunha essa tormenta
A dor que impacienta
Acalma; a calmaria não.
Posted by Fernando Belo at 11:28 PM 1 comments
Posted by Fernando Belo at 11:59 PM 2 comments
Não sei se pela água feita do suor
que escorre, exorcizando as impurezas.
Ou se pelos gritos e calúnias repetidas
que me enchem a boca e esvaziam
o peito. Ou pelos flagelos
singelos, me punindo
a pele ouriçada. Ou se é o calor
que me rodeia, que me purga
dos pecados que eu deixei
de cometer.
Mas nada
me lava mais a alma
que a
Santidade
de um
amor imundo.
Posted by Fernando Belo at 9:57 PM 1 comments
Posted by Fernando Belo at 2:28 PM 1 comments
Disseram que de perto é feio
Aquilo que é bonito se deixado mais ali.
Por isso, estico meu passeio;
Vou pro infinito, o mais longe que eu já vi.
Quem sabe assim de longe eu vejo
Tudo o que avizinha o meu calado coração,
De um fraco e surdo gargarejo,
Transformar-se em fado, o fardo em uma canção?
Posted by Fernando Belo at 9:12 PM 0 comments
Devagar, despreocupada
Destelhada, sem guarida
Solidão buscou morada
Na minha alma dorida.
(Na minha calma dorida...)
(Na minha calma dormida...)
Chegou sorrateiramente
Qual semente que se solta
E longe do pé, descrente
De repente, à vida volta.
(De repente, a vida volta...)
(De repente, há vida em volta...)
Solidão fez um buraco
No opaco do meu peito
Parecia um choro fraco
Mas um rio tomou meu leito.
(Mas um frio tomou meu leito...)
(Mas um frio tomou-me, lento...)
Solidão fez seu espaço
Como eu faço a poesia
Grão em grão, de passo em passo
Fez maço do que doía.
(Fez traço do que doía...)
(Pôs traço no que doía...)
Tão guardada está, enfim
Tão sem fim é a escuridão
Que quem quer que me ame assim
De mim só tem solidão.
(De mim não tem coração...)
(Ai de mim! sem coração...)
Posted by Fernando Belo at 4:37 PM 2 comments
Faz tempo, nasceu Maria Encanto. Nasceu que doeu quem fosse olhar. Tão bela a bebê Maria, chorava, chorava, que Homem nenhum pode agüentar. Tão nova, colocava quebranto em quem teimava a se aproximar. A sua beleza ardia; no mundo entrava e nele Maria tinha altar.
Já no primeiro suspiro infante, Maria tinha mil pra casar. Ao fim do primeiro mês a fila sumia naquela curva que o mundo dá. A Maria quando debutante, enfim poderia alguém amar. Não houve quem não quisesse tamanha alegria naquele lugar de deus dará.
Não houve mais Homem de trabalho, nem jovem garoto pra estudar. Perderam-se avôs, irmãos, maridos e amantes; da porta de Encanto fez-se um lar. Criou-se então um mundo falho, fadado a sumir, se acabar. Os Homens pararam as mãos, ficaram distantes, da terra, da cama e do amar.
Ao ver no bebê tanta ameaça, as Noivas puseram-se a tramar. Que triste o futuro a vir sem ter casamento, e tanta Mulher querendo um par. Fizeram à noite a sua trapaça, deixando a fila a dormitar. Maria ainda a dormir, jogaram ao Vento, e foi-se o bebê, sumiu no ar.
Pois quando surgiu o Sol chorando – “Que falta a bela Maria faz!” – O que se seguiu foi dor; partiram os Homens, caçando suas Mulheres más. A guerra amanheceu queimando, a morte seguiu logo atrás. Os Homens plantavam horror por onde passavam – “Eu quero Maria, eu quero a paz!”
Depois que chegou a noite lenta, que venta sem nunca refrescar, a brisa trouxe Encanto e a pousou no sangue de quem não conseguiu escapar. Aos poucos se cessou a tormenta, os Homens pararam de lutar. Olharam por toda a volta, só viram o mangue que sobrou depois do guerrear.
Maria se ausentou um dia; já fez um milagre se operar. Voltou do breve planar já moça crescida, em plena idade de amar. A moça parada, ali sorria. Não tinha ninguém pra lhe ofuscar. A Noiva que não morreu, saiu na corrida; Encanto é sozinha pra reinar.
Sentindo o remorso dolorido, daquele que faz peito chorar, os Homens se ajoelharam, pediram clemência – “Imploro, não me faça te olhar”. Maria não viu nenhum sentido e pronta se pôs a desfilar. Despiu todo o corpo à vista, levou à falência o ímpeto de quem quis olhar.
Os poucos que resistiram castos, correram dali sem nem pensar. Temiam o fim de quem provasse a beleza e dela não pudesse largar. Os outros que se entregaram vastos, sentiram o corpo congelar. Perderam-se entre o amor e a pura tristeza e ali viram tudo terminar.
A fuga se deu antigamente, Maria já não mora mais lá. Mas quem se correu dali não parou ainda com medo do que Encanto fará. Preferem correr eternamente pra longe de onde Maria está. Quem sabe assim o amor se cansa e finda...? Quem sabe o que me sobrará?
Posted by Fernando Belo at 2:20 PM 1 comments
Vem nova e me mostra o oposto
Renova o que eu tenho por gosto
Ouvi bem claro, findou a sina
Do amor raro que me foi imposto.
Promete o beijo sempre perto
Promete um coração aberto
És tão bem vinda, minha menina
Chega e confunde o que eu já tive certo.
Posted by Fernando Belo at 1:40 PM 1 comments
Já foi
O tempo em que o meu coração fugaz
Sentava quieto e se deixava em paz
Longe da confusão do teu pendor
Sei lá
Só estou dizendo o que eu ouvi falar
Meu coração nunca me deixa entrar
Na intimidade: “É particular...”
Depois
Que tu partiste sem deixar um pó
Meu coração sentiu-se muito só
Viu muito espaço e, junto, muita dor
Caiu
Em choro aberto de espantar freguês
Tanto que agora ainda é a tua vez
Não se viu mais ninguém no seu lugar
Não sei
O que aconteceu depois não vi
Ele sumiu, não vi mais por aqui
Foi procurar abrigo, algum penhor
Eu sei
Deve ser duro pra você, meu bem
Ter no passado a morte de alguém
Ser responsável por tanto pesar
Mas vai
Não se preocupe que ele aqui não vem
Teu prejuízo não bate um vintém
E tua culpa sumiu no vapor
Que mais?
Ouvi dizer que ele tentou morrer
Queria por um fim no seu sofrer
Envenenou área ventricular
Falhou
Sobreviveu à sua insensatez
Como seqüela tudo se desfez
Ficou vazio meu coração de amor
Um Dois
Ele fugiu, tive que dividir
A minha parte é o que faz sorrir
Ficou com ele o que só faz chorar
Um Dois
Eu te agradeço por me aliviar
Não nego, a dor pra mim foi salutar
Meu peito é nulo, nem frio nem calor
Enfim
Só estou dizendo o que eu ouvi falar
Meu coração nunca me deixa entrar
Na intimidade: “É particular...”
Posted by Fernando Belo at 6:05 PM 4 comments
Apresento-me a ti (e beiro o enfarte)
Porque sei que é dura a punição
A quem quer que se atreva a enganar-te
Ou fugir de tua imposição
Fiz promessa: por bom tempo amar-te
Por bom tempo (para sempre, não)
Da minha vida, (pois tu não fazes parte)
Tu mandaste, aceitei abrir mão
Fui fiel; declarei meu estandarte
Ter-te amor, só a ti (preso ao chão)
E por fim, proibiste a minha arte
“Nunca mais versos no coração!”
Fui honesto até este momento
Em que faço verso do tormento
De te amar sem ser nunca o que sou.
Denuncio a infração (que ousadia!)
Acabei de fazer poesia
De amor; nosso amor que acabou.
Posted by Fernando Belo at 12:08 PM 3 comments
Sinto que caí em desuso.
Posted by Fernando Belo at 2:02 AM 4 comments
Posted by Fernando Belo at 6:21 PM 2 comments
Posted by Fernando Belo at 10:56 PM 1 comments
Daqueles sorrisos que destes
Tem um que grudou na visão
E agora não importa a paisagem
Tem lábios na composição.
Se escrevo um bilhete de amor
Tua boca já está no papel
Ditando os versos que queres
Pedindo uma rima com céu.
Não adianta que eu feche os meus olhos ou que me apaguem a luz
Quando eu penso em tua boca, menina, acende tudo o que é breu
Não consigo chorar de saudades quando você não está
Pros teus lábios escorre o meu choro e o meu pesar vira teu.
Um rosto que a mim se apresente
Já tem seu sorriso emprestado
Qualquer outro amor que eu tenha
Tem beijo do seu, decorado.
Eu já tive você inteirinha presente no meu olhar
Hoje eu só tenho um sorriso na vista e a falta no coração
Ai, se Deus me tivesse piedade me dava o teu restante
Pra grudar tua cabeça no meu colo e o teu seio na minha mão.
Posted by Fernando Belo at 2:29 PM 2 comments
Decorei com muito esmero a minha clausura
Me vesti com os meus trajes de ficar
Estiquei meus panos sobre a cama dura
Me joguei, enfim, no eterno dormitar.
Não me serve de mais nada estar desperto
São meus dias de uma espera recorrente
Estou só, mas se me olhassem bem de perto
Me encontravam nem tão triste, nem contente.
Eu aguardo é pelo coração perdido
Dele eu nunca soube, tão de mim caído
Nem boatos... nunca fatos. Só calar.
E enquanto dele não me vem notícias
Formo um dito de umas letras fictícias:
"Nada é feito sem o peito no lugar".
Posted by Fernando Belo at 10:30 AM 3 comments
Posted by Fernando Belo at 2:00 AM 3 comments
Só sei explicar se for assim:
A vida às vezes me parece aquelas flores de “bem-me-quer, mal-me-quer”
Porque mesmo que eu ganhe,
Tudo o que eu tenho no final é uma ex-flor
Com uma mísera e solitária pétala.
Posted by Fernando Belo at 10:50 PM 1 comments
Posted by Fernando Belo at 2:12 PM 3 comments
Acontece que a poesia não rasteja
Sobrevoa
Observa, longealada
Meu nariz riscar o chão.
Posted by Fernando Belo at 12:03 AM 1 comments
Eu não sei
Se é a dor que não se faz passar
Ou se é o medo que me faz pensar
Melhor eu sigo se eu ficar aqui.
Não
Já digo não
Não traga as minhas frases preferidas
Não cante a solidão
Não rabisque meus ouvidos
Eu sei que a chuva cai
Eu sei que a nuvem vem ficar de vez
Pra onde eu corro, cai
E a fuga, nessa água, se desfez
Eu pensei
Que eu teria um lugar pra ficar
Mas não sabia que esse tal lugar
Se afogaria pra fugir de mim.
Estar sozinho dói
Sobrou-me a Ilha de Semaisninguém
Mesmo curando, dói
Pois abandono é o que mais se tem
Sim
Sei que é assim
Sempre disseram pra querer bem pouco
Mas eu não via fim
Pro meu querer atrevido
Hoje eu sei
Que o que me perde é o meu caminhar
Não há mais nada pra se procurar
Melhor eu sigo se eu ficar aqui.
Posted by Fernando Belo at 10:06 AM 6 comments